"A BÍBLIA, COLEÇÃO DE LIVROS"
"A BÍBLIA, COLEÇÃO DE LIVROS"
Sempre fiquei intrigado com esse negócio de haver uma Bíblia católica e uma Bíblia protestante. Nas edições católicas há os livros de Tobias, Judite, sabedoria, Eclesiástico, Baruc, os dois de Macabeus e outros textos menores que faltam nas edições protestantes. Como se explica isto?
Trata-se da história do Cânon bíblico. Você entende como não deve ter sido fácil para os antigos judeus discernir em, entre todos os escritos quem se produziam, os que deviam ser considerados "sagrados" e os que não. A mesma coisa aconteceu entre os cristãos.
Na primeira metade do segundo século antes de Cristo, em força de uma tradição bastante tranquila entre as escolas rabínicas, já havia uma lista (<<Cânon>>) de livros tidos como livros Santos, dignos de veneração. Tais livros eram divididos em três categorias: os da Lei (torar), os dois profetas (Nebiim) e outros de números oscilantes, contendo orações e normas de vida (ketubim)
Nos tempos de Jesus, passados, portanto, um século e meio, a situação já era outra: as escolas rabínicas estavam divididas em relação ao Cânon dos livros sagrados. A escola de Jerusalém atinha-se à tradição mais antigas e reconhecia o cinco livros da Torá (pentateuco), os livros dos Nebiim (Josué, juízes, Samuel, Reis, Jeremias, Ezequiel, Isaías e os doze profetas menores ) e o ketubim assim ordenados: Rut, Salmos, Jó, Provérbios, Eclesiastes, Cântico, Lamentações, Daniel, Ester, Esdras e Paralipômenos. Estes livros formavam o Cânon Jerosolimitano.
Outros livros de origem mais obscura o mais recente, alguns deles em língua grega, mesmo gozando de respeito, não entravam na lista sagrada dessa Escola ou dela foram expulsos por razões meramente puritanas. Por sua vez, os rabinos das Escolas da Diáspora (especialmente os de Alexandria do Egito) defendiam um cânon mais amplo, incluindo os livros que vieram a ser chamados, depois, de "deuterocanônicos”.
A igreja cristã também hesitou em reconhecer e acolher como inspirados os deuterocanônicos hebreus, como hesitou em acolher no seu cânon alguns livros que iriam compor o novo testamento, questionando, por razões várias, as cartas aos hebreus, de Tiago, a segunda de Pedro, a segunda e a terceira de João, a de Judas e o Apocalipse.
É difícil dizer quais tenham sido os critérios para o reconhecimento da sacralidade dos textos bíblicos. Certamente o mais importante foi a aceitação unânime por parte das assembleias litúrgicas, tanto entre os hebreus como entre os cristãos. Também influíram — e muito — a autoridade do autor, os benefícios espirituais produzidos pela leitura, a conformidade com a pregação viva e o código de fé das comunidades. Negativamente, influíram, para a dúvida, a origem discutível, a dificuldade de compreensão e o abuso por parte de correntes heréticas.
Assim a Igreja Católica, recolhendo a Tradição milenar mais persistente e confiável, no Concílio de Trento, em 1545, pôs fim à discussão e às dúvidas acolhendo em seus cânon todos os deuteronômicos do Antigo e do Novo Testamentos. Os protestantes aceitaram os deuterocanônicos do Novo Testamento e rejeitaram os do Antigo, considerando-os “apócrifos”. Eles também, em tal decisão, apelaram para a Tradição. Não vale…protestar.
-Tenham todos uma ótima leitura e até a próxima se Deus quiser!
- Adélio Francisco.

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