SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS
06 de novembro de 2022
Solenidade de Todos os Santos
EVANGELHO
Mt 5,1-12a
Naquele tempo, 1vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2e Jesus começou a ensiná-los:
3“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. 4Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
11Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. 12aAlegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.
MEDITAÇÃO
Alegrem-se e exultem, porque será grande a recompensa de vocês nos céus (Mt 5, 12a)
Somos criaturas de Deus que retornam ao Criador. A certa altura, Jesus Cristo nos elevou à categoria de filhos de Deus. E é com olhos de filhos que contemplamos hoje a cidade santa do céu, habitada por milhões e milhões de homens e mulheres, de todas as raças, línguas e tempos, que glorificam a Santíssima Trindade e gozam da mais perfeita e íntima comunhão de amor e vida divina com o Senhor. É uma festa de louvor e de esperança. De louvor a Deus que, aceitando-nos como filhos e filhas, nos tornou herdeiros do céu, da bem-aventurança eterna. De esperança, porque, apesar das tentações, dificuldades e pecados da vida terrena, temos um destino eterno.
Celebramos os nossos santos, mas celebramos também o seu caminho à santidade, que é o mesmo caminho que percorremos . Estamos na mesma estrada e isso nos enche de confiança, alegria e coragem.
O Evangelho da liturgia deste domingo, nos propõe as bem-aventuranças proferidas por Jesus ao abrir o Sermão da Montanha. Elas são, por um lado, o retrato de Jesus. Por outro, um ideal a nosso alcance. Um ideal que não se mede por critérios humanos, mas pelos novos critérios divinos com os quais se avaliam as coisas e os fatos do Reino de Deus. Por isso mesmo, por mais concretas e atuais que sejam as bem-aventuranças, só serão alcançáveis pelos que crêem na pessoa e na mensagem de Jesus. Os santos creram e foram capazes de medir sua vida por elas, ora se penitenciando para alcançar outra.
A felicidade proposta por Jesus é diferente da felicidade imaginada por muitos, que pensam ser felizes quando têm muito, ou quando se livraram de contrariedades ou quando têm multidões a seus pés para servi-los. A felicidade que Jesus prega envolve o passado, porque se enraíza na doutrina que ele deixou; o presente, porque é dinâmico e exigente; é o futuro, porque é base do Reino dos Céus, que começa aqui e plenifica-se na eternidade.
As criaturas foram criadas para a felicidade, não para a desgraça. Isso equivale a dizer que fomos criados para Deus e não para o inferno. O desejo de felicidade dá-nos de entender que, iniciou antes do nascimento das criaturas huma e sempre continua. As bem-aventuranças proclamam a felicidade perfeita que, com toda a certeza, não se dedica em bens materiais e glórias esfumadas. Felicidade que abarca em primeiro lugar a vida presente. A plenitude da felicidade depende da vivência feliz nesse mundo, porque o Reino dos Céus, começa e se constrói na vida presente. Jesus de Nazaré é o modelo de quem viveu na terra a plenitude das Bem-aventuranças. Por isso é ele também o modelo da felicidade eterna.
O discurso das Bem-aventuranças apresenta as contradições da vida. De fato, encontramos e vivemos situações absurdas, mas reais: sucessos e fracassos, fartura e fome, tristeza a alegria.
As palavras de Jesus no Evangelho que nos é apresentado, concentram-se em torno do "porquê" da vida. Para que vivemos? Qual é o fim do homem? Quais são as coisas essenciais de nossa vida?
Todos nós necessitamos de uma meta na vida, de um valor supremo que possa dirigir a nossa visão e a nossa ação no mundo. Enfim, o homem não é Deus, e só se sente bem quando for ao seu encontro, buscando nele proteção confiança e solução para os seus inúmeros problemas.
Para Jesus o acúmulo de riquezas não é o que importa, isso pode até contrariar o destino humano. E as riquezas não consistem apenas em dinheiro, mas também no poder, prestígio, fama, competições humanas, etc.
Ao contrário, Jesus nos exorta a reunir "tesouros nos céus", tesouros que se identifiquem com os valores evangélicos, os quais ele proclamou no sermão da montanha.
"Bem-aventurados sereis quando os homens vos rejeitarem, insultarem vosso Nome como infame, por causa do Filho do Homem." Há nesse relato uma oposição entre pobres e ricos. De um lado temos os pobres, não só no sentido financeiro, mas os que estão abertos para a graça que vem de Deus e são capazes de partilhar o que possuem.
Nem toda a pobreza é relativa. Existe pobreza absoluta: não ter o que comer, o que vestir, onde morar, não ter os meios mais elementares de subsistência, não podendo participar dos bens da cultura, da vida social e política.
Do outro lado, há uma crítica muito forte aos ricos, porque muitas vezes se fecham no seu eu, no seu mundinho, o seu deus é o ter, o dinheiro, o poder e, às vezes, oprimem os outros.
Na medida em que o Reino De Deus é graça, corresponde melhor à pobreza do homem do que à sua riqueza.
Meus irmãos e irmãs: Jesus nos ensina a sermos cada vez mais simples, humildes, sinceros. Esta linguagem nos torna aptos a divulgar no dia a dia o comportamento de Jesus, no esforço de uma imitação concreta que reveste nossos anseios para a santidade.
PERMANECEMOS NA SANTA PAZ DE DEUS!
-Adélio Francisco.

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